segunda-feira, 30 de abril de 2012

Mais uma meta perdida.

Deve existir algo na vida que nunca ti deixará fazer planos. Ou pelo menos, nunca ti deixará realizá-los.
A frequência com que nós queremos sempre planejar as coisas, deve ser algo perigoso, para que seja sempre interrompido por outras coisas, e que demora anos para a gente assumir que foi melhor assim, ou apenas aceitar calados. Quantas coisas eu quis para mim, planejei, e nos quarenta e cinco do último tempo, tudo deu uma puta revira volta, e eu fui parar em um lugar tão diferente de tudo que eu sonhava e esperava. Nem sei dizer se é legal assim ou não. Só consigo ver que isso tudo é simplesmente bizarro. Mas há quem defenda e diga com todas as letras que assim sempre será melhor, afinal, vocês sabem como é ser humano, tudo que lhe traga prazer imediato, nós iremos abrir a boca para falar que foi maravilhoso, esquecendo de tudo que aconteceu.
Fazer planos é fácil, até uma criança tem essa incrível capacidade, mas difícil mesmo é realizá-los. O papo aqui tá longe de ser o clichê do "foco, força e fé". Mas é que vivemos em um mundo tão personalizado e avançado, que realizar algo que você sempre sonhou, se tornou uma missão possível e ao mesmo tempo impossível, já que nós só conseguimos visualizar mudanças em um tempo tão pequeno. 
O homem tornou-se extremamente capaz de chegar a suas metas, mas ao mesmo tempo, alguém frágil e abalável a qualquer tipo de mudança. Pra que se preocupar, se ele tem a certeza, que o seu "Plano B" supre todas suas necessidades?
Proatividade é algo que todos deveriam ter, mas a partir do momento em que ela vira uma desculpa, para que você desista do seu principal foco, partindo para o mais fácil, que já está garantido a tempos do seu lado, ela se tornará o principal vilão da sua história. 
E felicidade? Bom, isso é apenas mais uma palavra que MAIS UMA VEZ o homem supriu através da ciência e não soube protegê-la devidamente.



sábado, 21 de abril de 2012

Replay


Eu tenho a conciência perfeita de que sua mente está mais longe do que eu possa imaginar e mais complicada do que você consiga entender e suportar, mas não tenho o controle de parar de me preocupar. Mas na verdade está rolando (e rolou) um puro egoísmo.
Egoísmo, de querer apenas acompanhar o lado triste da história e ter vergonha de assumir a si mesma, que na felicidade eu não consegui estar por perto.
Não me culparei por esses desandeios, nem colocarei culpa no mundo, foi apenas um fracasso. Mas lembre-se que agora desejo virar o globo e visualizar tudo, de um ângulo diferente, eu prometo.
Só que para isso acontecer, vou precisar do seu consentimento e da sua calma, para caminhar com cuidado e voltar a fazer parte do seu livro.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Você precisou do seu tempo

E se eu levar a vida com sofreguidão demais, ela me levaria à morte?
Ele deu o último gole do pouco vinho que restava na taça e me respondeu friamente: "Sim, arrisque fazer isso, e você se verá totalmente perdida." 
Senti que ele ainda tinha algo para me falar, e insisti em que ele continuasse o discurso barato naquela sala fria, e então ele decidiu continuar.
Falou do tempo. De que quando perseguido como um bandido, se comporta como um bandido, e que está sempre uma fronteira ou uma sala na nossa frente, mudando de nome e de cor de cabelo para nos enganar, saindo pela porta dos fundos do hotel no mesmo instante em que nós chegamos ao lobby com nosso mais recente mandado de busca, deixando apenas um cigarro aceso no cinzeiro como provocação.
A única coisa que consegui fazer naquele momento foi olhar para ele. O que ele acabara de falar tinha uma coerência que me intrigava, mas não poderia simplesmente ignorar tudo aquilo, eu me identificava com cada palavra que saiu da sua boca.
Ele passou as mãos nos cachos e terminou com bastante entusiasmo: "Sacolão, existe um determinado momento em que você precisa parar porque ele não vai parar. Você precisa reconhecer que não vai pegá-lo. Que a ideia não é pegá-lo. Em um determinado momento você precisa relaxar, ficar sentado e deixar o contentamento vir até você."
Bati de frente e logo concordei com o que ele falava, mas assumi que isso deveria ser provavelmente uma das coisas mais difíceis de se colocar em prática.
Foi só me calar que já ouvi o seu sotaque italiano: "Ora mais, pois fique sentada bem quietinha agora e ponha um fim à sua participação incessante. Veja o que acontece."
(Isso seria o fim do universo! O que eu faria com a minha energia?)
Essa foi a última vez que o vi.
Mas tenho certeza, que se eu pudesse inverter esses conselhos naquela noite, eu inverteria. Você precisou muito mais do que eu.