quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Vôo ou pouso?

O mundo põe medo mas dá vontade de ir. Não sei onde estou mas sei porque vim. Minha alma catavento. Abro os braços para o tempo. A metrópole assusta. Sozinha em uma cidade superpopulosa. Eu dou meu sangue aqui, fresco, jovem. Espalho gotas em um quadro, deixo rastros na arte.
É hora de jorrar, furar a carne, fundo, descobrindo os músculos, órgãos desconhecidos que moram em mim. Corto meus pedaços, pés, mãos, antebraço. Passo a língua no sangue, tem o gosto dos meus tataravós.
No corpo habita a família. Quero doar, transfundir. Que é a vida se não dermos o sangue? Pulsante, vermelho, inteiro. Auto-sacrifício é a fusão do corpo com o eterno. Deixarei aqui voando as palavras, lâminas prontas para dissecar o espírito de alguém.

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